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Saiba quando a escolha sobre dinheiro parece certa, mas não é

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POR REJANE TAMOTO

Diferentes pesquisas mostram os equívocos que empreendedores cometem com as finanças -muitas vezes influenciados por emoções. O melhor jeito de evitá-los é conhecendo como as escolhas são elaboradas pela mente

Conversar com o gerente só em caso de emergência e agir como se os limites do cheque especial e do cartão de crédito não fossem empréstimos - e sim uma extensão da renda - são atitudes que repetidamente trazem problemas financeiros aos empreendedores. E mudar essa relação pode ser mais difícil do que aparenta ser porque ela não é totalmente racional. 

A maioria dos pequenos empresários diz que vai ao banco somente em último caso, de acordo com uma pesquisa do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de São Paulo), que ouviu a opinião de 720 empreendedores e de 90 funcionários de bancos sobre as mesmas questões relacionadas a produtos financeiros. 

Marcelo Moreira, coordenador da área de pesquisas do Sebrae-SP, diz que o empreendedor só procura o banco quando precisa de um empréstimo, ou seja, para algo que considere uma emergência.

Ocorre que, em contradição, 80% deles afirmam utilizar o limite do cheque especial e do cartão de crédito – linhas pré-aprovadas e de maior custo. 

“Eles consideram que estas linhas não são financiamentos e usam os limites para alavancar a empresa. Para eles, empréstimo é para financiar máquina ou ter capital de giro, e para obtê-los precisam conversar com o gerente do banco”, diz Moreira. 

Uma conclusão do estudo é que falta mesmo mais conversa entre as duas partes. “Tanto o empreendedor quanto o gerente do banco precisam gastar mais minutos de diálogo para chegar a um entendimento melhor sobre as necessidades de cada um”. 

O empreendedor, segundo Moreira, também precisa conversar mais com fornecedores e tentar negociar prazos, parcelamentos e outras alternativas antes de buscar empréstimo a juros altos para pagá-los. 

O que sucede, de acordo com o coordenador, é que nessa relação com os produtos financeiros o pequeno empresário primeiro toma o crédito e depois procura consultoria pois não sabe como vai arcar com a dívida. 

No fundo, essa falta de diálogo e a utilização massiva de limites pré-aprovados de crédito estão associados a comportamentos arraigados e não racionais. A percepção das pessoas é de que o banco é um lugar de guardar e pegar dinheiro e não necessariamente onde elas podem obter orientação financeira. 

Dessa forma, as escolhas sobre o que fazer com o dinheiro são guiadas por uma mistura de aspectos históricos, culturais e subjetivos do comportamento, como o desejo e a emoção. A explicação para isso não é nenhum mistério. “Somos humanos”, diz Denise Hills, superintendente de Sustentabilidade e Negócios Inclusivos do Itaú Unibanco.    

O banco vai incorporar essa compreensão sobre as escolhas das pessoas com o dinheiro nas ações de educação financeira - em um plano de ação que tem duração de três anos.

“Só conhecimento não funciona e só comportamento também não. Na hora de mudar de atitude também é preciso saber como”, diz Denise. 

No próximo ano, a plataforma digital do Itaú trará orientações financeiras com uma abordagem baseada na vida real das pessoas.

Outra ação planejada é ampliar de 150 para três mil o número de voluntários de orientação financeira, que hoje são principalmente os funcionários do banco.

De 2008 a 2010, 80 mil funcionários passaram por um programa de educação financeira, voltado para o planejamento individual. 

A ideia, segundo Denise, é integrar cada vez mais a orientação financeira e comportamental com a oferta de produtos e serviços, de forma que isso melhore os índices de satisfação dos clientes.

“Já atrelamos o peso da satisfação do cliente com a meta dos gerentes”, afirma. O plano incluirá treinamentos de toda a área comercial. 

CRÉDITO X EMPRÉSTIMO
Uma descoberta interessante do estudo do Itaú veio de encontro a comportamentos que o Sebrae-SP identificou em outra pesquisa com os empreendedores: a diferença que as pessoas (e não só os empreendedores) estabelecem entre crédito e empréstimo. 

Segundo Denise, o crédito é percebido como um selo de aprovação social e de credibilidade – e traz um julgamento positivo.
Para os entrevistados na pesquisa, o empréstimo tem uma conotação negativa e normalmente é associado a uma emergência, ou ao resultado de uma dificuldade ou imprudência. 

Essa relação que faz com que muitas pessoas usem sem critério o que consideram um símbolo de credibilidade: os limites do cheque especial e do cartão de crédito.

Para as empresas, o custo médio dessas linhas de crédito foram de 243,10% ao ano e 277,50% ao ano (no rotativo), respectivamente, em setembro, segundo dados do Banco Central.  

A taxa de inadimplência das empresas com essas linhas também estava alta em setembro: 19,4% dos atrasos de pagamento ocorreram no cheque especial e 15,9% no cartão de crédito – muito acima do índice geral de 3,8%. 

Segundo Denise, para as empresas é importante que o conhecimento seja adquirido junto com os conceitos de comportamento sobre o uso do dinheiro.

“Quanto maior esse conhecimento, maior será o índice de longevidade de pequenas empresas", afirma Denise. "Os empreendedores precisam entender sobre outras áreas. O melhor padeiro nem sempre é o melhor gestor.” 

Essa busca é ainda mais decisiva para atravessar períodos difíceis como o atual, de recessão econômica.

“A perspectiva é que economia só comece a se recuperar a partir de 2017. É uma crise que afeta empresas de diversos portes e será preciso ter reservas e usá-las bem para atravessar esse período", afirma Caio Megale, economista do Itaú Unibanco. "O empresário que quer estar posicionado para crescer lá na frente, também precisará ficar de olho nas oportunidades, de forma que consiga ganhar eficiência, aumentar o market share e fidelizar clientes.” 
 

SIGNIFICADO DO CONSUMO E DA POUPANÇA MUDOU AO LONGO DO TEMPO

O estudo do banco também mostra como os conceitos mudaram ao longo do tempo. Do ponto de vista histórico, o brasileiro herdou da época da inflação nas alturas, durante a década de 1980, o imediatismo em relação ao dinheiro, quando consumir equivalia a guardar - para o dinheiro não perder valor. 

Depois, no início da década de 1990, o confisco da poupança no governo Collor deixou um rastro de desconfiança. A principal foi a de que investir era arriscado demais. Hoje, guardar o dinheiro na poupança transmite a sensação de escondê-lo em um lugar parado e seguro. 

O consumo, nos anos recentes de ascensão da classe média, foi associado ao sentimento de pertencer a grupos, estar bem informado e criar laços de afeto. Por isso, é tão difícil separar o que é “necessário” do “supérfluo”, já que muitas vezes eles se misturam. 

Essa necessidade de consumo muitas vezes pode levar o crédito a ser usado como um complemento de renda – tanto o de bancos, quanto também os constituídos em parcelamentos na compra de bens e serviços. 

O resultado disso não é tão positivo. Dados de julho do Banco Central mostram que 46% da renda mensal das famílias brasileiras estava comprometida com dívidas nos últimos 12 meses. Segundo a Serasa Experian, 28% da população, ou 57,2 milhões de pessoas, estavam inadimplentes em agosto deste ano. 

“As pessoas entendem que estar endividado é estar inadimplente e ter o nome sujo. É uma visão que extrapola a questão financeira e se torna símbolo de discussão moral”, conclui Denise.

FOTO: Thinkstock

Fonte: Diário do Comércio - 18/11/2015

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